15 abril 2010

Editorial

Em nome do amor. A transferência começa por aí, tanto nas análises como na formação de grupos, elegendo mestres aos quais submeter-se e obedecer. Mas, nessa via, a do amor, o sujeito perde sua liberdade, doando seus “objetos a” postiços, a voz, por exemplo, pelo medo de perder o amor do suposto líder, protegendo-se da angústia. Eis que numa análise, assim como na Escola proposta por Lacan, esse lugar de mestre/líder é apenas mais uma ilusão, a que vela e tenta dar consistência a um lugar, por estrutura, vazio, causa do desejo. “Isso é que é vida!”, dizia um pequeno paciente, ao brincar do que deseja. Na trilha da vida, e não da morte, a falta é levada em conta, nos movendo e causando o desejo de cada um. Esse é o “fracasso” do analista e da Escola que, por isso mesmo, é também seu “sucesso”.

Juliana Soares

Diretora



Conselho Diretor - gestão 2010/2012

Diretora: Juliana Soares
Secretária e Tesoureira: Silvia Machione
Comissão de Acolhimento e Cartéis: Cynara Maria Andrade Telles, Eber Fernandes de Matos e Juliana Bartijotto.
Comissão de Divulgação e Site: Rafael Bellizzi Zeri e Verônica Lopes.

À que viemos?

Há cinco anos um pequeno grupo desejou se reunir para discutir questões sobre uma prática clínica conduzida pela orientação lacaniana. Esse grupo cresceu, suas atividades de formação clínica diversificaram-se e, desde 2007, ele vem se reunindo sob essa palavra enigmática - "lalíngua" - significante escolhido por seus membros para representá-lo.

Lacan inventa essa palavra frente à necessidade de tornar mais claro, para seus discípulos e em sua obra, o papel fundamental da linguagem na estruturação do inconsciente e no discurso poético, enquanto a língua procura apreendê-la objetivamente, mas inutilmente, pois ela sempre escapa entre os dedos.

"Lalíngua - espaço de interloucução em psicanálise" nasce com o desejo de, desafiadoramente, constituir uma comun(idade) que prevê um lugar de inscrição para o sujeito: excluído, sempre dividido e alienado de seu dizer. Um espaço que possa acolher a diferença de cada um, semeando a possibilidade de novas respostas a antigas questões, permitindo a invenção e a apropriação particular da teoria, causando o sujeito na árdua e excitante construção de seu estilo. Afinal, é disso que se sustenta o inconsciente: da surpresa, da escuta à irrupção sempre imprevisível de lalíngua.